domingo, 25 de março de 2012

Saber é Poder

Saber é Poder

Ceratiano

Tive oportunidade de ler, há alguns anos, um artigo intitulado “Por que os Maçons não Lêem?”, de autoria do renomado Irmão Kurt Prober. Referido artigo fora publicado, originalmente, pela Revista Maçônica A Trolha, pelos idos do ano de 1979, se não me falha a memória, e esse mesmo artigo vi republicado por inúmeras vezes em diversas revistas e jornais de circulação entre os maçons. Eu mesmo, com muita satisfação, o republiquei, em parte é verdade, no nosso jornal “O Aleijadinho” n.º 30, que circulou no mês de novembro de 1999.
No citado artigo, o nosso Irmão Kurt Prober já apontava o desinteresse dos maçons pela leitura singular dos assuntos e temas relativos à Maçonaria, destacando que dentre as razões pelas quais os maçons não gostam de ler encontra-se a falta de interesse, entusiasmo, motivação íntima ou simples preguiça intelectual, e, em tom jocoso disse da existência de bibliotecas maçônicas em diversas lojas e potências, asseverando poder comprovar que “entra ano e sai ano sem sair um único livro” por empréstimo aos Irmãos, evidenciando, sem qualquer resquício de dúvida, que “maçom não gosta de estudar, estudar que é sinônimo de ler, e muitos menos gosta de escrever”. É como disse aquele escritor: habituaram-se os nossos irmãos a “não estudar e a não ler coisa alguma”, preferindo discutir com veemência sobre o “disse me disse dos outros”.
Sei, e muitos sabem, que o Irmão Kurt Prober tem razão quando escreveu aquele artigo, e hoje, decorrido todo esse tempo, constato que o quadro ainda não é dos melhores, ou seja, os nossos irmãos continuam não gostando de ler, menos de estudar, e menos ainda de escrever. Hoje, é certo, temos muito mais irmãos estudando, lendo e escrevendo sobre Maçonaria do que antes, mas em contrapartida, temos muito mais lojas, e muito mais livros, jornais e revistas em circulação no meio maçônico, e igualmente, muito mais maçons do que à época em que o Irmão Kurt Prober escreveu seu artigo. Assim, guardadas as devidas proporções, não seria desairoso afirmar que a situação atual é igual ou pior àquela apontada pelo Irmão no final da década de setenta do século passado.
Não pretendo fazer uso destas linhas para reafirmar somente aquela ou essa constatação singular. Em verdade, aqui estou para tentar convencer o meu Irmão e Leitor que “Saber é Poder” e que “aquele que não sabe não pode…!” E com estas singelas palavras pretendo tentar imprimir um selo novo entre os maçons: Vamos ler Maçonaria.
Prefacialmente, é preciso que o Irmão entenda que existe uma regra de ouro a que todos estamos sujeitos; seja na Maçonaria; seja no dia a dia a dia do mundo profano; seja nas relações pessoais mais íntimas ou mais abstratas; seja aqui ou seja na China, Índia ou Japão, e essa regra é a seguinte: “Colhemos sempre o que semeamos”. A literatura de auto-ajuda e até mesma a Bíblia Sagrada faz referências a essa regra de ouro. Veja o que está dito nos Evangelhos de Mateus e de Lucas: “Por acaso colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos” [Mt. 7:16]; “Não se colhe figos de espinheiros, nem se vindimam uvas de sarças”[Lc. 6:43]. “Meus Irmãos, acaso pode uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos?”, como no dizer de Tiago [3:12]. É claro que só podemos colher o que semeamos. Quem nada semeia nada colhe.
Meu Caro Irmão! Esta regra de ouro não se limita a fazer voltar contra nós as ações injustas que cometemos para com os outros; ela vai mais longe, muito mais longe, e nos trás, sempre, os resultados de cada pensamento que formulamos. Pensar corretamente, me parece, então, ser a chave para compreender e viver harmoniosamente com aquela regra de ouro. E pensar com exatidão significa, primeiramente, levantar o véu da ignorância e contornar o abismo das trevas do desconhecimento das coisas e pessoas à nossa volta.
Ouso dizer que a lei da individualidade do homem maçom, isto é, a sua lei de liberdade, igualdade e fraternidade, é sobremodo a lei do conhecimento. Somos o que pensamos que somos, e o que sabemos é a fonte inesgotável da nossa unidade e do nosso poder. Quem não conhece a si mesmo – não sabe das suas potencialidades – nada pode realizar. É o conhecimento, isto é, o saber, que liberta o maçom dos vícios e do erro, e que torna impossível a manifestação de todas as outras qualidades destruidoras como o egoísmo, a violência, a inveja, o ódio, a malícia, a desconfiança, o espírito de vingança e a tendência para colher onde não se semeou.
Estou plenamente convencido de que a ignorância seja realmente a mãe de todos os vícios e erros que aflige a humanidade, vez que seu princípio mor é nada saber, saber mal o que sabe e saber coisas outras além do que deve saber. Mas que, a despeito disso, o caráter humano sempre se patenteia, e jamais poderá ocultar-se nas trevas da ignorância, pois odeia a escuridão e o abismo do desconhecimento, razão pela qual procura sempre a luz…! A verdade…! O conhecimento…! E todo maçom sabe que quem não tem a luz do conhecimento não pode pensar com retidão, e a sua verdadeira motivação é que sabe que não pode pensar com exatidão se não conhece a verdade das coisas à sua volta, e sobremodo, sabe que não pode contrariar a lei eterna por meio da qual colhemos sempre o que plantamos.
Também estou convencido de que “Saber é Poder”, e entendo que a faculdade de conhecer e a capacidade de pensar com retidão envolve dois princípios que devem ser observados por todos os maçons e por todos aqueles que almejam o poder. Primeiro, para pensar com exatidão é preciso ter o saber que permitirá separar os fatos das meras informações e distinguir entre os fatos aqueles que são importantes daqueles sem importância, ou os de relevo dos sem destaque. Somente procedendo assim poderemos alcançar a verdade e pensar com exatidão, e assim, seremos homens, maçons, pais, esposos e filhos melhores do que somos. Segundo, conhecendo [sabendo] o que devemos conhecer [saber] estaremos munidos da alavanca com a qual poderemos mover o mundo, empregando apenas as pontas dos dedos, ao passo que o ignorante [aquele que não digeriu o conhecimento, isto é, o saber] não será capaz de remover empregando toda a sua força.
O caminho – a chave dessa alquimia mental – é ler e estudar, ler e estudar bastante, e estudar é sinônimo de ler, assim o saber vira poder e a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lema tão caro à Maçonaria deixará de ser só retórica. Vamos Ler Maçonaria. Saber é Poder. Quem nada sabe nada pode.
Para finalizar fico a me perguntar e deixo a pergunta solta no ar. E agora, “Por quê não lêem…?” Confesso que não tenho uma resposta convincente e nem encontro justificativas para justificá-los. Como bem frisou o Irmão Kurt Prober, isto é outra página da história, e como ele, faço votos que cada um consiga responder esta pergunta indiscreta, pelo menos para si mesmo. Da minha parte fico satisfeito se conseguir ser lido pela metade da metade dos maçons que ainda se dão ao trabalho de ler alguma coisa.

*Luiz Gonzaga da Rocha – MM – 33. Membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal; membro do Real Club Arco do Templo e membro da ARLS Antônio Francisco Lisboa nº 24 – Brasília/DF.

Nenhum comentário:

Postar um comentário